Pensamento Correlativo & Fengshui (final)

Continuação da entrevista com o Arquiteto Fengshui Howard Choy

RC: Como você vê a importância deste conceito para uma visão contemporânea sobre o Fengshui?

HC: O problema com a visão contemporânea do Fengshui em vez de uma visão clássica é que, na visão contemporânea, não se tem o conhecimento de que em Fengshui usamos um modo diferente de pensar quando se trata de aplicar as teorias. A visão contemporânea toma as correlações literalmente e interpreta equivocadamente as correlações como causações. Esses tipos de mal-entendidos muitas vezes levam a uma abordagem supersticiosa da prática do Fengshui.

Deixe-me dar um exemplo da “estrela” Tai Sui (O Grão-duque) que não é sequer uma estrela verdadeira no céu à noite, mas algo inventado pelos antigos Chineses com base em sua observação do planeta Júpiter para representar um ano de um ciclo de 12 anos. De modo filosófico, isso pode se encaixar e ser correlacionado com os 12 Ramos Terrestres.

Tradicionalmente, a estrela Tai Sui representava o Imperador que exige um elevado nível de reverência e respeito, mas depois de um tempo, as pessoas que estavam desinformadas, olhavam para ela com medo, como uma estrela fisicamente prejudicial e querem evitar enfrentá-la ou perturbá-la na sua direção do trânsito a cada ano. Em vez de associar o Tai Sui com uma direção que precisa de cuidado e respeito a cada ano, a visão contemporânea transformou-a em algo que é literal e que deve ser temido, como se a inventada estrela Tai Sui fosse fisicamente nos causar mal.

RC: Como você aplica (o pensamento correlativo) em seus projetos e consultas de Fengshui?

HC: Eu espero não dar a impressão de que somente o pensamento correlativo é usado em Fengshui. Uma vez que, na visão de mundo Chinesa, tudo tem Yin e Yang, por consequência, a maneira como pensamos também deve ter entradas (input) Yin e Yang, o que significa que devemos usar ambos os lados do nosso cérebro e ser racionais e correlativos, ou ser intuitivos e objetivos, ao mesmo tempo.

De modo geral, eu inicio um projeto ou consulta com as necessidades humanas, perguntando diretamente sobre questões que afetam ou que preocupam meus clientes, quais são os seus medos e anseios, e quais são os seus requisitos funcionais, para que eu entenda meus clientes tanto quanto possa.

Então eu prossigo com as observações físicas e análises das condições do local e localização. Eu gosto de observar e analisar o macro, o micro e as áreas do bairro que influenciariam o local e ver se o edifício está localizado corretamente e voltado para uma direção correta ou não. Como eu estou lidando com formas visíveis e configurações do ambiente, eu tenho a tendência a pensar logicamente e racionalmente nesta fase.

Se o edifício já existe, então eu observo o Qi das formas do layout interior e como ele está relacionado com o exterior. Se for para um edifício novo, então eu analiso e faço um estudo funcional como qualquer arquiteto faria, ainda tentando ser o mais lógico e objetivo quanto possível, então eu sei funcionalmente como tudo deve se encaixar em um nível racional.

Porque usar o pensamento racional, ou usar o lado esquerdo do meu cérebro, não é o suficiente, eu vou para a parte “Bússola” do Fengshui e uso um dos muitos métodos da Escola da Bússola, como o método das Oito Residências ou o método das Estrelas Voadoras para fazer o meu cálculo, usando o pensamento correlativo para estimular meus sentimentos intuitivos e pensamentos irracionais para que eu possa compará-los com o que eu posso observar e com as necessidades dos meus clientes, para ver se eles se encaixam e fazer o que me propus a conseguir racionalmente.
Se o racional e o correlativo ajustam-se, então eu sei que estou chegando a algum lugar. Assim, de certo modo eu estou usando as correlações e metáforas para sair da camisa de força da racionalidade, e me permitindo vaguear livremente, irracionalmente e intuitivamente, em busca do miraculoso sem perder os aspectos funcionais e práticos da minha observação inicial e da análise racional.

Howard Choy – Arquiteto Fengshui – 13 de agosto de 2015, Berlim

 

Nota: As imagens publicadas nas duas partes da entrevista são uma amostra de trabalho prático em um workshop residencial Fengshui realizado em Moscou para mostrar como esse processo de pensar racionalmente e correlativamente pode ser alcançado, em um projeto Fengshui ou consulta.

O Sr. Choy explica que em uma situação normal de trabalho, um consultor de Feng Shui trabalha em parceria com um arquiteto e não é obrigado a fazer o planejamento final. Ele ou ela deve produzir um resumo das indicações do Fengshui para o arquiteto usar como referência no desenvolvimento do projeto.

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Riceles Araújo Costa, 10/09/2017   #Riceles   #RicelesFengshui   #Fengshui